quarta-feira, 26 de julho de 2017

Dos Mestrados e do mais precioso que a vida tem...

Se não me tiverem trazido mais nada, estes dois mestrados (o que fiz e o que acabo daqui a 4 dias), trouxeram-me algo que não tem preço: pessoas.

Uma das minhas melhores amigas veio do meu primeiro mestrado. É a minha outra metade, de tão diferentes e parecidas que somos. Já no mestrado, eu era a arte antiga, ela a arte contemporânea. Eu sou a capitalista, ela a comunista. Eu sou a princesa comodista, ela a prática e despachada. No feitio? No feitio somos iguais. As mesmas indecisões, os mesmos dramas, os mesmos medos. Ela é ligeiramente mais nova, o que só por si não quer dizer nada, mas, neste caso, quer dizer que eu tenho uma visão mais fria e racional da vida. Ela é mais sonho, mais utopia. Ela acredita num mundo melhor. Eu, nem sempre.

Deste segundo mestrado, tenho os meus dois colegas de grupo. Começámos quatro. Expulsámos um elemento entretanto. E, agora, não temos dúvidas de que somos, de longe, o grupo que melhor se entende e que melhor trabalha em conjunto. Trabalhamos quando temos de trabalhar. Rimos muito, quando queremos rir. Eu sou a stressadinha, a chatinha, a picuinhas. A que quer sempre rever mil e uma vezes todos os pontos e vírgulas. A que pede para alterar coisas de véspera, fazendo o meu colega desesperar e achar que sou louca. Mas tem uma paciência de santo e altera o que eu peço. Uma e outra vez. O terceiro elemento é a nossa mãezinha. Quem nos equilibra, quem gere emoções, quem é mais diplomática e para quem está sempre tudo bem. Temos uma dinâmica muito nossa e isso vê-se no nosso trabalho. Vai ver-se amanhã, quando apresentarmos o nosso projecto final, num auditório cheio de gente.

E, mais uma vez, eu sou uma sortuda. Canudos, dinheiro, casas e carros, valem o que valem. As pessoas. As pessoas é que importam.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Das brilhantes decisões que eu tomo...

Portanto, como a semana não estava ainda animada o suficiente, perdi a cabeça e inscrevi-me no ginásio.

Podem internar-me.

domingo, 23 de julho de 2017

Dos meus sonhos...

Esta noite sonhei que estava a fazer aquela-prova-cujo-nome-eu-não-vou-mais-repetir-até-a-acabar. Ia no quilómetro 4 ou 5 e chorava baba e ranho, certa de que não ia conseguir chegar ao fim, pela forma como me sentia.



O meu subconsciente tem formas curiosas de me relembrar que não corro há mais de uma semana...

sábado, 22 de julho de 2017

Dos pensamentos soltos...

Um dos meus momentos preferidos na realização de qualquer trabalho académico é a actualização dos índices. Fico mesmo contente ao vê-los tomar forma e ir crescendo! Fico feliz com pouco, eu sei. Mas podia ser pior.

Diz que acabo as aulas esta semana. Diz que tenho teste na terça, apresentação do projecto final na quinta e entrega do trabalho escrito do dito projecto final no domingo.

Diz que pelo meio disto tudo devo receber a proposta que ficaram de me fazer depois da entrevista final de ontem. Diz que correu bem.

Diz que está um lindo dia de sol. Diz que se está bem na praia. Eu talvez, só talvez, consiga sair de casa para jantar. Talvez. Se me portar bem.

Diz que eu devia estar focada em acabar o mestrado e ando preocupada com uma das grandes decisões da minha vida. E com o facto de não correr. E com o caos em que está a minha casa. E com mil e uma outras coisas que, neste momento, não deviam ser relevantes.

Ainda bem que ando a ler o Getting Things Done.

E que estou aqui a escrever em vez de estar a trabalhar.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Do meu estado... - II

Pois que ontem tive a entrevista ao final do dia.

Não ia a uma entrevista há alguns anos. Na verdade, desde que entrei para onde estou agora, só tive duas pseudo-entrevistas (foram mais conversas informais do que outra coisa).

Não estava particularmente nervosa. Fui sem grandes expectativas, para saber mais da função e para ver se me interessava. Tenho um trabalho, um ordenado, não estou exactamente desesperada, o que ajuda muito.

Acho que correu bem. Estive lá mais de uma hora e saí de lá a achar que isso era bom sinal.

Já não me lembrava do que era uma entrevista. Não tinha respostas preparadas. Os meus defeitos? As minhas qualidades? Como me descreveriam os meus colegas? O que me motiva? Estas e muitas outras perguntas, às quais nem sempre soube responder. Fizeram-me o teste de personalidade DISC e eu, confesso, gosto sempre dessas coisas.

Saí de lá, a voar para a ante-estreia de Game of Thrones, com muitos mixed feelings. Não é o meu emprego de sonho. Mas é diferente do que faço agora. E eu estou cansada do que faço agora. Claro que isso não é razão suficiente para mudar. Não me posso dar ao luxo de correr riscos à toa. Tenho uma casa e contas para pagar. Mas estou tentada a isso.

Ligaram-me agora a marcar a segunda entrevista com os dois sócios da empresa. Acendam mais velas na sexta-feira à hora de almoço, por favor. Parece que resultam!



(não estou a conseguir responder a comentários mas... Muito, muito obrigada!)

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Do meu estado...

Nível de cansaço actual: precisar que ontem alguém me lembrasse que hoje tenho uma entrevista de emprego.

Acendam umas velinhas a partir das 18h. Agradecida.


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Das surpresas boas...

Um dia destes, estava eu a chegar das aulas à meia-noite, e, enquanto distraidamente falava ao telemóvel, abri a caixa de correio. Ora, já se sabe que, nos dias que correm, todos nós abrimos a caixa de correio com a expectativa de encontrar uma de duas coisas: contas para pagar ou publicidade manhosa.

Mas, desta vez, eu fui surpreendida! Esperava-me um envelope da Catarina do Biquini Dourado! Claro que subi as escadas e fui logo abrir para ver o que era!


Uma capa para livros muito amorosa! E dá bem jeito, que é coisa que eu não tinha e já tinha andado a namorar!

Mas qual o motivo deste simpático presente? Bom, para quem não sabe, a L. das horas organizou no início deste ano um Desafio Fit com algumas bloggers. Desafio esse em que eu fiquei em último lugar (true story!) e tive como "penitência" enviar um presente à Catarina, que ficou em primeiro lugar. E não é que ela resolveu retribuir o gesto?

Este mundo não deixa de me surpreender, de me trazer coisas boas, gente boa. E ainda há quem ache estranhas estas relações que surgem no online!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Das minhas leituras...

Wook.pt - O Pianista de Hotel

Acabei de ler há dias este livro. E não gostei. Parece que sou a única, porque em toda a parte vejo muito boa gente a tecer rasgados elogios. Mas eu não gostei. Acabei de o ler por teimosia (custa-me muito não ler um livro até ao fim, por mau que seja...), e por ter esperança que em algum momento a coisa melhorasse. Não melhorou.

Depois de o acabar, voltei ao meu companheiro dos últimos tempos.


Desconfio que lá para Outubro devo estar a relê-lo mas, para já, dá para começar a tirar ideias.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Das corridas... - XXVI

E soluções milagrosas para as bolhas nos pés, há?

Já experimentei diversos pares de meias, já experimentei diversos pares de ténis, e comprei um creme na Decathlon que quase resolvia o problema.

Mas voltei à fase fantástica de correr 5km e fazer bolhas...

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Das crises da idade...


Não me lembro da última vez em que usei um fato-de-banho. Provavelmente, terá sido na natação, que deixei em 1999. Há quase 20 anos, portanto. Mas hoje deu-me para levar este para casa, depois de um mês a namorá-lo. Podia ser pior, não podia?

domingo, 9 de julho de 2017

Das corridas... - XXV

Resolvi fazer novo plano de treinos para aquela-prova-cujo-nome-eu-não-vou-mais-repetir-até-a-acabar. Na verdade, resolvi voltar a correr, que era coisa que não andava a fazer.

Também não tenho feito muito, que este recomeço é coisa recente e já conta com umas falhas, mas sei que até ao final do mês (quando acabo as aulas), não posso exigir milagres.

Olho para o plano e acho que não vou ser capaz. São demasiados treinos longos. Sei que não vou ter paciência. Sei que, em pleno Verão com muito calor, o meu corpo não vai gostar de treinos de 20, 24 e 28km. Sei que vai ser uma luta dura e difícil. Mas também sei que, se conseguir, vai ser qualquer coisa...

Nos entretantos, descobri que o treino mais longo que tenho para fazer calha no dia da Maratona de Lisboa. E de que é que eu me lembrei? Aproveitar a boleia, pois claro. Saio de casa a correr, desço até à Marginal, colo-me a quem vai a fazer a Maratona, aproveito as estradas cortadas (isto será legal?), e depois, em vez de seguir para a meta, continuo por essa cidade fora, sempre junto ao rio, até perfazer os 32km, que terminam precisamente no subúrbio onde mora quem mais me atura e acompanha nestas loucuras. Acho que dificilmente podia calhar melhor!

Eu tenho o plano, tenho a estratégia, tenho tudo pensado ao pormenor.

Haja vontade e força nas pernas!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Das palavras que nunca lerás...

Por vezes, dou comigo a suster a respiração, a querer cristalizar o momento, a temer que o mais suave sopro venha e destrua tudo. Vivo constantemente nesta ansiedade, neste medo, neste saber que, a qualquer momento, a minha vida pode ficar, outra vez, de pernas para o ar.

Incomoda-me esta fragilidade. Este sentir-me exposta desta maneira. Este saber que te dei o que de mais precioso posso dar a alguém. Esta consciência do poder que tens sobre mim. O poder que eu te coloquei nas mãos quando te deixei entrar em mim, na minha vida. 

Não são raros os momentos em que penso em fugir. Fugir antes que tu fujas. Antes que tu me magoes. Fugir para não correr sequer esse risco.

Mas depois, depois tu abres os braços, recebes-me em ti, dizes em gestos o que não dizes em palavras, e eu não tenho como fugir. Resta-me acreditar que se cair, se doer, se ficar em cacos mais uma vez, valeu a pena. Sem dúvida, já valeu a pena.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Das coisas que me ocorrem assim de repente...

Que a Web Summit, para a qual já tenho bilhete, começa exactamente no dia a seguir àquela-prova-cujo-nome-eu-não-vou-mais-repetir-até-a-acabar.

A julgar pelo que aconteceu o ano passado, em que andei a semana toda de rastos, vai ser uma combinação espectacular.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Do verdadeiro significado de Leap of Faith...

Leap of Faith é ter comprado ontem bilhetes para uma viagem a realizar em Outubro, depois do que aconteceu nas duas últimas viagens que marquei com alguém.

O pior que pode acontecer? Ir sozinha, que foi o que me aconteceu com Praga e foi das melhores experiências que tive na vida.

O melhor que pode acontecer? Ter umas férias espectaculares, que incluem Amesterdão, Bruges, Gante e Leiden.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Das coisas em que penso durante a minha viagem matinal de suburbana...

Tornámo-nos cépticos. Deixámos de acreditar no para sempre. Não fazemos mais juras de amor eterno. Vivemos o momento. Pensamos o momento. Não sabemos o amanhã e não nos queremos comprometer com a ideia de um para sempre. Quando é que deixámos de acreditar no para sempre? Sim, eu sei. O para sempre não existe. Mas isso não é o mesmo que vivermos sempre com um prazo de validade. O sabermos que o para sempre não existe não quer dizer que não vivamos a lutar por ele, a acreditar nele, a ter esperança nele. Que viver é este em que estamos sempre à espera que acabe, porque nada é para sempre?

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Das férias... - IV

Os últimos dias das férias foram passados a sul: Aljezur, Almograve, Zambujeira...


A Arrifana vai ser sempre a Arrifana... E estar na praia até às oito da noite é o melhor sinónimo de férias que conheço!


Mas também houve tempo para ir conhecer a praia do Monte Clérigo, e acabar o dia a matar as saudades de percebes, com um pôr do Sol maravilhoso.

 
 

Antes do regresso ainda houve tempo para passar pelo Cabo Sardão para, mais uma vez, ficar espantada com as paisangens incríveis que temos. A zona da Costa Vicentina não deixa de me surpreender!

Seguiram-se a Marginal à Noite e o Trail da Ericeira, já relatados anteriormente.

 

E já agora, deixo a foto da famigerada descida no Trail da Ericeira. A foto não é da minha autoria nem eu estou ali no meio (acho eu), e acredito que só lá estando é que se percebia a dimensão da dita descida, mas fica a ideia geral...  


E foi assim que acabei as minhas férias... A tentar fazer gelo, com o Snow a querer roubar-me o saco onde o tinha!

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Das corridas... - XXIV


Não dá para ver este vídeo sem ficar arrepiada.

Das férias... - III

Depois de Amarante, seguiram-se os Passadiços do Paiva. Estava um dia exageradamente quente e isso tornou o percurso mais custoso, mas nada que a paragem no Areinho para um mergulho e o almoço, não ajudasse a resolver.


Os Passadiços têm paisagens incríveis, a Natureza mostra-se em toda a força, e recomendo inteiramente que lá vão! Se quiserem fazer o percurso de ida e volta, sejam mais inteligentes do que eu e comecem mais cedo (ou escolham um dia de menos calor...). São 16km, com uma subida dura para cada lado, mas fazem-se bem, desde que com o mínimo de preparação e muita água!


Depois dos Passadiços, o destino foi um pequeno turismo rural em Castelo de Paiva, muito simpático, muito calmo, com uma piscina óptima e que foi a escolha perfeita para recuperar forças.


O problema de Castelo de Paiva? A comida e a bebida! Cada restaurante era melhor do que o anterior... A dificuldade era mesmo escolher e o meu estômago bem se ressentiu!

  

Estes vinho, da região, eram óptimos, e ainda trouxe umas garrafas (para mais tarde recordar...).


O Restaurante Dona Amélia, perdido no meio do lado nenhum e com uma vista incrível, foi, sem dúvida, um dos melhores das férias. Mais uma vez, não façam como eu: façam reserva, porque só assim garantem que têm comida quando lá chegarem. Não há carta, há apenas 3 ou 4 pratos típicos (alguns só mesmo por encomenda), há bom queijo, bons vinhos, e sobremesas óptimas. Também não há multibanco, mas podem pagar por transferência bancária (true story!).


Balanço destes dias a Norte? A certeza de que não há país como o nosso, comida como a nossa, gentes como as nossas.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Das corridas... - XXIII

As Fogueiras.

O que dizer da Corrida das Fogueiras?

As expectativas eram muitas, em relação à prova em si. Na maior parte dos casos, isso dá asneira. Neste caso? Nem por isso.

No passado Sábado lá fui eu em direcção a Peniche, depois de um teste às nove da manhã, de um almoço com colegas, de uma ida à manicure, e de uma mini-sesta no sofá. Isto é relevante apenas na medida em que justifica que estive ocupada todo o dia e o só ter ido para Peniche ao fim do dia.

Cheguei a Peniche às 19h30. Liguei ao responsável da equipa, que tinha ficado de ir levantar os dorsais. Como ele ainda não tinha ido, fui eu. E começou aqui o drama. Os dorsais da equipa não estavam lá. Voltas e voltas e voltas e ninguém sabia deles. Depois, lá descobriram que alguém, cujo nome não nos dizia rigorosamente nada, os tinha levantado na véspera. O tempo a passar, nós sem dorsais e sem perceber o que se teria passado.

Entretanto, fomos andando para a partida, na esperança de que uma das pessoas da equipa com quem não estávamos a conseguir falar, tivesse levantado os dorsais e estivesse por lá. Não estava. Eram 20h50 e nada de dorsais. Telefonema para cá, telefonema para lá. Organização diz que nos imprime novos dorsais. Lá vai o responsável da equipa a correr (literalmente) até ao pavilhão onde era o secretariado, para ir buscar novos dorsais. Eram 21h10 quando tive o meu dorsal na mão. Só tive tempo de ir ao carro a correr e voltar para a partida, onde fiquei sozinha na caixa dos que não têm sequer tempo para serem considerados nas caixas.

Se houve momentos em que desejei que a situação não se resolvesse porque a vontade era zero (acho que até ao exacto momento em que saí de Lisboa, estive sempre na dúvida se ia ou não...), no meio desta adrenalina toda, já só queria que a prova começasse para despachar aquilo.

Começo a achar que até gosto de começar as provas sozinha. Permite-me alguns minutos de concentração, em que estou só eu e os meus botões (ou alfinetes, no caso), e em que eu me foco naquilo que vou fazer a seguir. Não quer isto dizer que, por vezes, não seja bom estar na galhofa até ao último momento. Também é.

Mas bom, a prova começou e lá fui eu. O início foi muito lento. Demasiado lento. Percurso demasiado estreito para tanta gente. Eu olhava para o relógio e desesperava a pensar que, a continuar assim, não havia de acabar nunca. A pouco e pouco, consegui ir fazendo umas ultrapassagens e fui ganhando ritmo (não se entusiasmem, que o meu ritmo há-de ser sempre de tartaruga...).

O que dizer da prova em si? O apoio do público é inacreditável. Mesmo. Nunca tinha visto nada assim. Muitas vezes dei comigo de sorriso nos lábios só por sentir aquele apoio incrível que recebíamos de quem estava a assistir. Perdi a conta aos high five que dei aos miúdos que assistiam. Perdi a conta aos obrigada que disse. Porque aquela gente não deve ter a mínima noção do quão importante é estarem ali, aplaudirem, gritarem umas palavras de incentivo. Estou a escrever sobre isso e a ficar arrepiada. É mesmo qualquer coisa. Nesse aspecto, foi a melhor corrida em que já participei e recomendo!

O percurso em si é engraçado. A parte mais urbana não tem grande piada, mas quando passamos para junto do mar, é completamente diferente. E, claro, as míticas fogueiras, que dão nome à prova. O problema? A escuridão. Eu tenho sérias dificuldades em correr sem ver onde ponho os pés. Aguento durante um bocado, consigo distrair-me, olho para as estrelas, vejo quem anda à minha volta, mas depois, a partir de certa altura, comecei a não achar tanta piada e só queria mesmo que aquilo acabasse. Até consegui acelerar o ritmo, só para ver se me livrava daquilo!... Confesso que essa foi a parte que mais me custou...

Mas rapidamente voltámos à civilização, eu sentia-me bem e estava relativamente contente com o tempo que levava. Só mesmo nos últimos 2km é que as dores começaram a dar sinais de si (curiosamente, foi depois de um desvio pelo passeio que fiz, porque teimei que queria deitar a garrafa de água no ecoponto). Como tem sido habitual, fiz umas simpáticas bolhas nos pés, e, a partir de certa altura, estava mesmo em sofrimento e só queria acabar. Mais uma vez, a ajuda do público e as caras conhecidas que fui vendo, foram a ajuda que precisava para conseguir acabar, dentro de um tempo razoável.

Cheguei ao fim, de sorriso nos lábios, feliz por ter ido e por ter feito a prova. Considerando a minha falta de treino no último mês, foi uma feliz surpresa conseguir fazer os 15km. Depois, foi comprar qualquer coisa para comer e para beber, e ir para o carro. O frio e o desconforto eram cada vez maiores e eu só queria chegar a um duche quente e a uma cama!

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Das férias... - II

As férias começaram no dia 9, sexta-feira. Sair de Lisboa a meio da manhã, em direcção ao Porto e ao Lado B, para uma francesinha vegetariana.


Seguiu-se uma passagem pelo hotel e o destino seguinte foi o Primavera. Eu não sou pessoa de festivais (facilmente se percebe), mas lá me convenceram que este era diferente e que valia a pena. E valeu.




Whitney foi muito, muito bom. Bon Iver também, e ainda deu para ouvir mais algumas coisas interessantes.


Claro que a noite não acabou sem uma tripa, com recheio de ovos moles, pois claro.
Conclusão da noite? Já não tenho idade para isto! Cheguei às duas da manhã completamente de rastos...

O dia seguinte ainda deu para uns passeios pelo Porto, eleita, sem dúvida, a minha cidade do ano.

 

O pequeno-almoço tardio foi no meu sítio preferido: Apartamento Café. Aquelas panquecas são divinais!

Seguiu-se um longo passeio a pé, para conhecer o Museu Nacional Soares dos Reis.

       


Ainda houve tempo para um Porto com esta fantástica vista e seguiu-se o próximo destino: Amarante.

E Amarante foi uma descoberta tão boa! Gostei tanto, tanto. É uma pequena vila muito bonita, com imenso património, e com boa comida e excelente vinho.


   
  

Eu e os patinhos, os patinhos e eu... E esta beira-rio, cheia de gente com as suas mantas e os seus piqueniques? Muita vida tem aquela terra!
 

 


Se não conhecem, vão conhecer! Vale mesmo a pena!

Das corridas... - XXII

Já que ainda não arranjei tempo para falar das férias, façamos um resumo rápido do que se tem corrido por aqui.


17 de Junho - Sábado - Marginal à noite

Já há muito tempo que queria fazer esta corrida, por morar naquela zona, mas calhava sempre na semana dos feriados, em que eu me habituei a meter férias nos últimos anos. Este ano, também calhou nas férias, mas como tinha dorsal oferecido e no Domingo tinha outra prova, antecipei o regresso a Lisboa e lá fui eu.

Foi das provas que mais me custou fazer. Pior só a Meia dos Descobrimentos em Dezembro passado. Se uma foi por ter chovido torrencialmente, esta foi por estar um calor insuportável. E eu e o calor não nos entendemos, já se sabe.

É daquelas que está feita, mas dificilmente será para repetir, mesmo tendo feito um tempo pavoroso. É demasiado confusa, o percurso não é particularmente interessante (ainda menos para quem mora ali e treina habitualmente na marginal), e são apenas 8km.

Não guardo propriamente memórias felizes (tirando o convívio com a grupeta do costume!) e, como tal, não há muito mais a dizer. Concluo dizendo que acabei a prova a pensar: nunca mais faço provas de estrada.


18 de Junho - Domingo - Trail Summer Challenge

Comecemos pelo óbvio: depois de quatro semanas em que corri duas vezes (num fantástico total de 8,5km), fazer duas provas com 12 horas de intervalo, não era exactamente uma decisão muito inteligente. Mas eu acho que já vos tenho habituado às minhas decisões pouco inteligentes, por isso, nada de novo.

Domingo, último dia de férias: saltar da cama às sete para ir em direcção à Ericeira. O ânimo não era muito, a vontade menos ainda. O que valeu foi que ainda éramos alguns: 3 para o trail curto (14km) e 3 para o longo (22km), sendo que havia 3 estreantes em trail.

Eu tive companhia no curto, de uma colega de equipa que se estava a estrear, e fomos sempre muito tranquilas, na conversa, correndo onde dava para correr, caminhando onde só dava para caminhar. O início começou logo duro e difícil, e, confesso, assustou-me um pouco. Fiz a pior e mais longa descida de sempre e tive mesmo medo de ir a rebolar por ali abaixo. Achei mesmo que não ia conseguir, achei que aquilo nunca mais acabava, e só queria sair dali. A parte boa é que o resto do percurso foi bastante mais acessível.

Vimos paisagens lindíssimas, andámos a correr nas arribas junto ao mar e tivemos imensa sorte com o tempo (sem demasiado sol e/ou calor, que era o que me preocupava depois da Marginal à noite). Mais uma vez, problema com os abastecimentos: disseram-nos que teríamos dois abastecimentos, aos 6km e aos 11km, e tivemos apenas um, aos 9km. Não se faz... Uma pessoa chega aos 6km e começa a pensar em comer e beber, cria expectativas, começa a salivar e, depois, nada... Uma diferença de 3km, é uma diferença muito grande! E eu estava mesmo com fome! Lá tomei um gel, para disfarçar, mas mesmo a água começava a faltar. O que valeu é que depois o abastecimento era bom e compensou mas... Não se faz mesmo!

Depois deste abastecimento, descemos para as arribas junto ao mar, andámos por praias (tão bom correr na areia...), andámos no meio de umas rochas muito estranhas (parecia que estávamos em Marte, como diria alguém), e foi aí que se deu a minha verdadeira estreia no trail: primeiro combate entre mim e uma rocha. Ganhou a rocha, pois claro. Eu ganhei uma perna a escorrer sangue, muitas dores na perna e na mão que tentou amparar a queda, e, uma semana depois, estou com uma cicatriz com muito mau ar e ainda algumas dores. Algum dia teria de ser... Fica a nota: mesmo que esteja calor, levar sempre, sempre, as perneiras!

Consegui arrastar-me até à meta, fazer um tempo dentro do aceitável (para o que eram as minhas previsões), e depois tivemos direito a uma sopa do mar que me soube lindamente! O plano era ficar pela Ericeira para uma mariscada e uns mergulhos mas, dado o meu estado, a minha vontade era mesmo ir esticar-me no meu sofá.

Pensamento no final: o trail é ainda mais giro quando temos companhia. Quando é o próximo?



Para isto não ficar ainda mais testamento, guardo as Fogueiras para outro post.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Das férias... - I

Um dos grandes momentos das férias e, certamente, o melhor do Primavera:


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Das indecisões...

Recebi mais uma carta do Future Me. Ainda não fui capaz de a abrir. Talvez mais logo. Talvez não.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Do meu estado actual...

Em modo caos, num duro regresso à realidade.

As férias foram ma-ra-vi-lho-sas. Hei-de retomar esse tema.

O regresso ao trabalho não está assim tão maravilhoso.

Tenho um teste esta semana que ainda não sei sequer quando será.

Engordei mais do que devia nas férias.

Depois de 3 semanas sem correr, fiz dois mini-treinos (um treino de 2,5km conta?). Participei em duas provas com 12 horas de diferença.

A prova de um dos mini-treinos - no Ribat da Arrifana.
Faltam 4 dias para as Fogueiras.

Amanhã vou para o Porto em trabalho. Indecisa entre desafiar um amigo para jantar ou levar os ténis e ir correr (reler os três pontos anteriores) - em qualquer dos casos, vou baldar-me certamente ao jantar de gala a que era suposto ir.

Come-se tão bem neste país. E bebe-se ainda melhor!

Tirei muitas e variadas fotos. Talvez as partilhe. Haja tempo.

Já estou a pensar nas férias de Outubro (que as de Setembro vão ser no sítio do costume).

De vez em quando, páro e levo um murro no estômago. Mais uma vez, o nosso país a ser destruído pelo fogo. Mais uma vez, nada se fez. Espero que, desta vez, se tomem realmente medidas.

Este pequeno cérebro continua em modo nó e nada parece desatá-lo.

A contar os dias para o final das aulas.

A emissão há-de retomar normalmente. Eventualmente. Um dia.




segunda-feira, 12 de junho de 2017

Das fotografias que dão alegria... - Day 163


A recompensa, depois do final do primeiro troço dos Passadiços do Paiva.

domingo, 11 de junho de 2017

Das fotografias que dão alegria... - Day 162


Em Amarante, a testar a doçaria local.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Dos meus sonhos (ou pesadelos, melhor dizendo)...

Hoje sonhei que me atiravas da janela.

Freud explica?

terça-feira, 6 de junho de 2017

Dos planos para as férias...

As férias vão incluir, entre muitos e variados programas, os Passadiços do Paiva, e mais umas quantas corridinhas (em modo treino, leia-se). 

Diz que já tenho o plano para aquela-prova-cujo-nome-eu-não-vou-mais-repetir-até-a-acabar (feito aqui) e isto tem de entrar nos eixos!... Não sei quando nem como, mas tem.

Ainda que o facto de ter o plano não queira dizer exactamente que já me decidi. Quer dizer apenas que vou começar a treinar, vou ver como me sinto, e daqui a um mês e 25 dias, tomo a decisão final.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Das músicas que eu não oiço há demasiado tempo...

Este fim-de-semana dei comigo a pensar que que já não via/ouvia o Palma há demasiado tempo, e decidi que o próximo concerto dele que houvesse dentro de uma distância razoável, eu iria ver. Sem dúvidas, sem desculpas, sem hesitações.

Pois que dia 25 de Julho ele vai estar em Oeiras. Em Oeiras!!! E eu? Eu vou estar no meu penúltimo dia de aulas.

E é isto.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Do que eu queria...

Anseio pelo fim deste dia interminável. Quase tanto como me custa saber que não o vou acabar nos teus braços. Queria, queria muito, enroscar-me em ti, encaixar-me no teu corpo, ficar assim, só ficar, só estar, só a sentir-te e a ouvir o teu respirar.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Dos meus dias...

O meu dia começou nas urgências no Centro de Saúde. Nada de mais. Só (mais) um sinal do meu corpo a tentar dizer-me que ando a abusar dele. Um exame. Medicação. Mais medicação para o estômago que voltou a dar sinais de vida nos últimos meses. Recomendação de reforço vitamínico. Mais descanso, quando possível (dentro de 2 meses, respondo eu). A confirmação daquilo que já sabia: todo o meu organismo anda descompensado e o corpo queixa-se.

Isto no dia a seguir a termos ficado com menos uma pessoa na equipa, que se prevê que fique ausente durante os próximos 9 meses.

Isto quando ainda faltam 2 meses para o final do mestrado e quando estamos a entrar na recta final do projecto final (perdoai a repetição).

Isto quando não corro desde a Estrela.

Resta-me o consolo de saber que só faltam 5 dias e umas horas de trabalho, antes de partir para 10 dias de férias.

Nem tudo pode ser mau, não é verdade?


[modo queixinhas: off]

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Das coisas pelas quais estou grata... - I

[Este texto foi escrito a 2 de Janeiro e nunca chegou a ser publicado. Hoje, apeteceu-me ir buscá-lo e deixá-lo ver a luz do dia.]


Entre outras coisas, este ano vou usar este blogue para fazer um registo das coisas pelas quais estou grata. Para que nunca me esqueça do sortuda que sou.

E começo pelo primeiro dia do ano.

Eu tinha decidido passar a meia-noite sozinha. Foi uma decisão muito consciente, depois de recusar alguns convites, porque era o que me fazia sentido. Queria sair de 2016 sozinha, e queria entrar em 2017 sozinha.

Fiz o disparate de comentar isso com alguém por volta das onze horas (por não ser capaz de mentir mais e por achar que estava livre de perigo àquela hora). Passavam cinco minutos da meia-noite quando me estavam a tocar à porta.

E eu comecei o ano a sentir-me grata por isso. Grata por ter gente louca à minha volta, que atravessa a cidade inteira, que passa a meia-noite num carro, apenas para me vir arrancar de casa. Inclusivamente, gente que não me conhecia de todo.

E eu comecei o ano muito feliz. Rodeada de gente boa, de boas energias. A acreditar no bem, nas pequenas coisas. Nesta loucura saudável. Neste viver, só por viver.

Comecei o ano a sentir-me muito grata e espero que o resto do ano continue assim.


[Não tenho usado o blogue para fazer o registo das coisas pelas quais estou grata de forma sistemática, mas tenho-o feito de forma mais ou menos explícita nos posts que vou escrevendo. E este sentimento que tinha no dia 2 de Janeiro tem-se mantido. Esta gratidão. Esta consciência do sortuda que sou. Este viver, quando o medo não fala mais alto. Vamos quase a meio do ano. E eu só peço que ele continue como até aqui.]

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Das coisas boas...



Passei anos sem ir ao Porto. Na verdade, com muita vergonha, eu não conhecia o Porto até há uns meses atrás. Fui lá em Fevereiro, por ocasião do meu aniversário, apesar de ainda não ter posto aqui as fotos. Mas fui e deixo esta para amostra. 

Agora consta que em Junho volto lá. Não uma, mas duas vezes.

Não há fome que não dê em fartura.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Das Corridas... - XXI

O Estrela Grande Trail deixou-me a pensar em muitas e variadas coisas.

Entre outras coisas, deixou-me a pensar naquilo que eu quero da corrida e naquilo que eu quero fazer daqui para a frente.

E sim, deixou-me a questionar a maratona.

Um dia vou fazer uma maratona. É certo. Está na minha lista de coisas a fazer antes de morrer. Mas não tem de ser já. Não tem de ser este ano. Nem no próximo.

Fazer uma maratona é, para mim, uma coisa muito séria. Eu sei que virou moda, e que toda a gente fez, e que há um mediatismo enorme em torno da coisa, e que é giro e tal. Mas, para mim, é mesmo uma coisa muito séria.

Não quero fazer uma maratona para sofrer ao longo de 42km. Não preciso desse sofrimento na minha vida. Não que a minha vida seja plena de sofrimento, mas, convenhamos, o que tenho chega-me bem.

Quando fizer uma maratona, quero fazê-la a sentir-me bem. Quero que seja um momento feliz. Quero sentir-me preparada.

O que pode ser já em Novembro. Ou pode ser só em 2020.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Do Estrela Grande Trail... - III

O Estrela Grande Trail já foi. Foi um fim-de-semana muito cheio, muito intenso, muito cansativo.


Sexta-feira à noite cheguei às Penhas da Saúde e estavam 8º. Esta noite foi passada na Pousada da Juventude da Serra da Estrela. Acho que não dormia numa pousada da juventude há quase vinte anos, e não deixou de ter a sua piada. Claro que as pousadas já não são o que eram, e esta acabou por ser uma boa surpresa. Não fosse a barulheira a meio da noite de algum grupo mais animado, e o frio que passei, tinha sido uma excelente noite! Ou talvez não... Porque consegui ter dois pesadelos absolutamente sinistros (ambos com a prova).

Sábado acordei nervosa. Sabia que era a prova mais dura que alguma vez tinha feito. Arranjei-me depressa, tomei o pequeno-almoço (levei as minhas panquecas de casa!), e fizemo-nos à estrada. Achava eu que estava frio na véspera... Mas a caminho de Manteigas o carro marcava 6º! Não basta uma pessoa acordar antes das sete a um Sábado, e ainda tem de levar com estas temperaturas!...


Já em Manteigas, correria para levantar os dorsais, últimos preparativos para quem ia para os 49km, um pórtico de partida (e meta) giro que só ele, muitas estrelas por toda a parte, e às nove horas e uns minutos, deu-se a partida do Estrela Orion Belt.

Ainda tinha uma hora pela frente até à minha prova - Estrela Ursa Minor. E uma hora dá para muita coisa. Deu para ir ao carro pôr a tralha toda, confirmar que tinha tudo o que precisava na mochila e que não tinha nada que não precisasse (cada grama conta!), comer uns frutos secos e uma banana, ir (mais uma vez) à casa-de-banho, tirar umas fotos, e pensar bem na minha vida. O meu objectivo inicial era fazer menos de 3h, dada a dificuldade da prova. Depois, comecei a fazer contas, vi que afinal eram só 14km, e achei que devia ser mais ambiciosa. Baixei o objectivo para 2h30, sabendo que não seria fácil, porque teria de fazer os primeiros 8km (os mais difíceis), numa 1h30.


Os nervos eram muitos e os minutos antes do início da prova não foram fáceis. É bem mais fácil quando temos companhia e quando estou com gente conhecida à volta parece que o tempo passa mais depressa. Ainda deu para uma foto e, às dez, a prova começou.

Não vale a pena descrever cada quilómetro, que o texto já vai longo, mas acho que este gráfico explica muita coisa: 


O começo não foi mau: uma ligeira subida, depois 1km a descer, e depois foi começar a subir. A partir do terceiro quilómetro, foi praticamente sempre a subir até aos 8,6km, quando cheguei aos 1312m de altitude. Foram quase 600m em 5km. É muito. Eu sei que para quem não percebe nada disto, é chinês. Mas é muito, acreditem.

Pelo meio, tive o abastecimento, antes dos 7km, e perto do Poço do Inferno. O nome era apropriado ao que sentíamos. Tínhamos acabado uma subida horrível e ainda faltava outra pior. E o mau foi que abastecimento foi fraco. O que foi pena!... Uma pessoa habitua-se a trails cheios de comida, e depois estranha. A parte positiva foi que, já quando tinha começado a subida do demo, estava uma pessoa da organização que ia contando os participantes que me disse que eu era a número 50 da geral e a 16ª das mulheres. Ora, eu não fazia a mínima ideia se estava mais para trás ou para a frente até aí, e, confesso, fiquei agradavelmente surpreendida. Sabia que éramos cerca de 100 participantes e 50 mulheres, por isso, fiquei muito satisfeita com esta informação, porque tenho sempre a sensação que estou nos últimos! Isto deu-me algum ânimo, mas não me deu força nas pernas... 



A grande quebra de ritmo que há no gráfico foi quando, a meio dessa subida maravilhosa, eu achei que não aguentava mais. Parei a contemplar a vista, tirei esta foto, tomei um gel, e respirei fundo. Sabia que ainda faltava 1km a subir, com uma parede bem dura pelo meio, mas que depois seria a descer.

E lá fui eu. O que melhor descreveu a última e mais difícil subida? Escalada. Eu fiz escalada. Numa boa parte do percurso, eu ia de mãos no chão, só via rochas à minha volta, não havia um trilho, um percurso desenhado, nada. Eram só rochas e eu sabia que tinha de subir, mas muitas vezes não sabia bem por onde. Foi... Desafiante! 

E como tudo o que sobe, desce, seguiram-se 4km praticamente sempre a descer. Destes, fiz 3km completamente sozinha, depois de ter começado a ultrapassar e a deixar para trás as pessoas que até aí tinham seguido mais ou menos à minha volta. E correr sozinha é aquela coisa que desperta em mim sentimentos contraditórias: é uma sensação incrível estar ali, sozinha, a ouvir-me apenas a mim, aos passarinhos e à água a correr (há sempre água a correr naquela serra...), mas é igualmente assustador e houve uma altura em que me enganei mesmo no percurso (que podia estar mais bem assinalado). Já mesmo a entrar em Manteigas, vi ao longe dois participantes. Um deles, ainda passei. Mas... Eu disse que tinha feito a última subida, não foi? Pois. Só que não. A organização achou por bem que a meta estivesse no centro de Manteigas, pois claro, e, portanto, o último quilómetro foi feito a subir. Foram só 70m num quilómetro. O que é isso, depois de uma prova inteira?!... Pois. Foi quase tudo a caminhar, e só fiz mesmo o esforço final no corredor de acesso à meta. Não dava para mais.


Quando cheguei à meta estava, como tinha desejado, muito feliz e orgulhosa. Fiz 2h14m25s. Juro que nunca pensei fazer tão pouco!... Quando percebi que ia fazer abaixo de 2h30 já estava super feliz, mas quando percebi que estava aos 12,5km e ia em 2h04, percebi que podia caminhar no último quilómetro, porque ia fazer abaixo das 2h15. E foi muito, muito bom!


Acabei a prova a sentir-me bem. Mesmo bem. Mais uma vez, só tive pena de não ter com quem partilhar o feito, e foi meio solitário, o que é estranho. Mas sentia-me muito feliz e orgulhosa! Tinha conseguido e sentia-me bem! Ainda tirei mais umas fotos e, como não havia abastecimento no final (nunca tinha visto tal coisa...), fui até ao hotel (que para esta noite já era mesmo em Manteigas).


Ainda estive na varanda a esticar as pernas e a apanhar sol. Alonguei, tomei um grande banho e depois aterrei na cama, completamente de rastos e com umas quantas dores simpáticas.

Foi nesta altura que peguei no telemóvel e consultei as classificações. E fiquei ainda mais feliz e orgulhosa! Fiquei em 41º na geral (em 93), 11º das mulheres (em 50) e em 4º do meu escalão (em 22). Mais uma vez, era um trail em que era fácil isto acontecer (as cromas estavam todas nos trails mais longos) mas, caramba!, não deixo de ficar super contente com os resultados. Esforcei-me e isso traduziu-se numa boa classificação.

E isto dá-me um grande ânimo, dá-me motivação, e deixa-me muito feliz! Eu sei que andamos lá todos porque é giro, e porque o desporto faz bem, e que o que importa é participar... Mas duvido que haja alguém que não fique feliz quando consegue um bom resultado! E mesmo que eu tivesse ficado em 90º, se tivesse feito o tempo que fiz, ia ficar igualmente feliz, porque superei, em muito, o meu objectivo. E sempre que nos superamos, é impossível não ficar feliz!

E agora chega de testamento, vou descansar que a semana vai ser longa, e começar a pensar no próximo objectivo: Fogueiras. Bom, talvez haja mais uma ou duas pelo meio, mas o foco vai ser esse. Espero eu.