terça-feira, 27 de junho de 2017

Das corridas... - XXIII

As Fogueiras.

O que dizer da Corrida das Fogueiras?

As expectativas eram muitas, em relação à prova em si. Na maior parte dos casos, isso dá asneira. Neste caso? Nem por isso.

No passado Sábado lá fui eu em direcção a Peniche, depois de um teste às nove da manhã, de um almoço com colegas, de uma ida à manicure, e de uma mini-sesta no sofá. Isto é relevante apenas na medida em que justifica que estive ocupada todo o dia e o só ter ido para Peniche ao fim do dia.

Cheguei a Peniche às 19h30. Liguei ao responsável da equipa, que tinha ficado de ir levantar os dorsais. Como ele ainda não tinha ido, fui eu. E começou aqui o drama. Os dorsais da equipa não estavam lá. Voltas e voltas e voltas e ninguém sabia deles. Depois, lá descobriram que alguém, cujo nome não nos dizia rigorosamente nada, os tinha levantado na véspera. O tempo a passar, nós sem dorsais e sem perceber o que se teria passado.

Entretanto, fomos andando para a partida, na esperança de que uma das pessoas da equipa com quem não estávamos a conseguir falar, tivesse levantado os dorsais e estivesse por lá. Não estava. Eram 20h50 e nada de dorsais. Telefonema para cá, telefonema para lá. Organização diz que nos imprime novos dorsais. Lá vai o responsável da equipa a correr (literalmente) até ao pavilhão onde era o secretariado, para ir buscar novos dorsais. Eram 21h10 quando tive o meu dorsal na mão. Só tive tempo de ir ao carro a correr e voltar para a partida, onde fiquei sozinha na caixa dos que não têm sequer tempo para serem considerados nas caixas.

Se houve momentos em que desejei que a situação não se resolvesse porque a vontade era zero (acho que até ao exacto momento em que saí de Lisboa, estive sempre na dúvida se ia ou não...), no meio desta adrenalina toda, já só queria que a prova começasse para despachar aquilo.

Começo a achar que até gosto de começar as provas sozinha. Permite-me alguns minutos de concentração, em que estou só eu e os meus botões (ou alfinetes, no caso), e em que eu me foco naquilo que vou fazer a seguir. Não quer isto dizer que, por vezes, não seja bom estar na galhofa até ao último momento. Também é.

Mas bom, a prova começou e lá fui eu. O início foi muito lento. Demasiado lento. Percurso demasiado estreito para tanta gente. Eu olhava para o relógio e desesperava a pensar que, a continuar assim, não havia de acabar nunca. A pouco e pouco, consegui ir fazendo umas ultrapassagens e fui ganhando ritmo (não se entusiasmem, que o meu ritmo há-de ser sempre de tartaruga...).

O que dizer da prova em si? O apoio do público é inacreditável. Mesmo. Nunca tinha visto nada assim. Muitas vezes dei comigo de sorriso nos lábios só por sentir aquele apoio incrível que recebíamos de quem estava a assistir. Perdi a conta aos high five que dei aos miúdos que assistiam. Perdi a conta aos obrigada que disse. Porque aquela gente não deve ter a mínima noção do quão importante é estarem ali, aplaudirem, gritarem umas palavras de incentivo. Estou a escrever sobre isso e a ficar arrepiada. É mesmo qualquer coisa. Nesse aspecto, foi a melhor corrida em que já participei e recomendo!

O percurso em si é engraçado. A parte mais urbana não tem grande piada, mas quando passamos para junto do mar, é completamente diferente. E, claro, as míticas fogueiras, que dão nome à prova. O problema? A escuridão. Eu tenho sérias dificuldades em correr sem ver onde ponho os pés. Aguento durante um bocado, consigo distrair-me, olho para as estrelas, vejo quem anda à minha volta, mas depois, a partir de certa altura, comecei a não achar tanta piada e só queria mesmo que aquilo acabasse. Até consegui acelerar o ritmo, só para ver se me livrava daquilo!... Confesso que essa foi a parte que mais me custou...

Mas rapidamente voltámos à civilização, eu sentia-me bem e estava relativamente contente com o tempo que levava. Só mesmo nos últimos 2km é que as dores começaram a dar sinais de si (curiosamente, foi depois de um desvio pelo passeio que fiz, porque teimei que queria deitar a garrafa de água no ecoponto). Como tem sido habitual, fiz umas simpáticas bolhas nos pés, e, a partir de certa altura, estava mesmo em sofrimento e só queria acabar. Mais uma vez, a ajuda do público e as caras conhecidas que fui vendo, foram a ajuda que precisava para conseguir acabar, dentro de um tempo razoável.

Cheguei ao fim, de sorriso nos lábios, feliz por ter ido e por ter feito a prova. Considerando a minha falta de treino no último mês, foi uma feliz surpresa conseguir fazer os 15km. Depois, foi comprar qualquer coisa para comer e para beber, e ir para o carro. O frio e o desconforto eram cada vez maiores e eu só queria chegar a um duche quente e a uma cama!

6 comentários:

  1. Mas que grande stress essa história dos dorsais!

    Muitos parabéns pela prova e por todo o prazer daí retirado.
    Em termos de público, e das que conheço, a São Silvestre da Amadora e a Corrida das Fogueiras são a excepção em Portugal.

    Beijinhos e força para as próximas!

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    1. Foi mesmo!

      Obrigada! Foi muito bom, mesmo :)

      São Silvestre da Amadora está na agenda para este ano!

      Um beijinho e bons treinos!

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  2. Parabéns pela prova. Só custa mesmo é começar ;) Boa recuperação..

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  3. Parabéns pela prova e ainda bem que conseguiste gradualmente ultrapassar esse stress dos dorsais. Chegaram a perceber quem afinal tinha levantado os da equipa?
    O público... só mesmo estando lá. :)

    Acabaste feliz - gosto muito de ler isso! :)

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    1. Percebi no dia seguinte quando me ligaram às nove da manhã... Uma pessoa que não foi (e que não costuma correr muito, logo, não percebo muito daquilo), pediu a outra pessoa (que não corre de todo e percebe menos ainda), que lhe levantasse o dorsal. Como os das equipas eram entregues em sacos fechados, só no Domingo de manhã, quando as duas pessoas se encontraram, é que perceberam o que aconteceu... Enfim... Foi um desatino, mas passou!

      Tu e eu :)

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